quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

noite de sedas, noite de segredos

noite de sedas, noite de segredos
noite. triste noite acordado
sonho que beijo a sua nuca nua
e minhas mãos empalmam o seu calor
e eu penetro no corpo de sua
noite, lá onde delira e fora
passam velozes passam motivados
mas danço consigo o Reino do Desejo
e sonho que estamos tão felizes
que vejo estrelas mundo alado
dos anjos do espaço
só tenho alguns minutos a seu lado
noite de sedas noite de estrelas
volto a dormir sonhar quem sabe

(reescrito em 1.1.2010)

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

o nosso amor é uma ficcão criadora

o nosso amor é uma ficcão criadora
um fingidor que finge
"o que deveras sente"
uma figuração cênica
linda, bela, emocional
prestidigitação contruída
do meu desejo

minhas mãos empalmam as tuas curvas
e apalpam teu sexo
como se fosse eu um estatuário
modelador
em tua luz

o nosso amor é um mito
mas é o mito aquilo
que nos conduz



eu que te amo

eu que te amo
não te conheço
apenas desejo
apenas fumos
apenas ser

mesmo assim eu te possuo
todas as noites

e sei que existes em algum lugar
que sentes o meu acariciar

que gozas
que mordes
que gostas


eu que te amo
não mudarei de lugar

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

o meu amor por você

o meu amor por você
é algo muito secreto
de sua família escondido
de sua consciência escondido
de todos segredo

o meu amor por você
não é medo

nada não tem de errado
ou reprovado
(quem reprovaria o amor?)
nem censurado

o meu amor por você
é elevado
sagrado
motivado

pelo nosso ser


(Para Rosa)



quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

noite de sedas estrelas



a noite não será tão negra enquanto eu puder ouvir a sua canção
nem saberei de dor enquando navegar
nas suas águas límpidas
nas suas imagens claras
nos seus cadernos e guardados
no seu sorriso jovem

a velhice nada significará
pois eu sei que está
junto a mim

mas tudo passa
e tudo que passa
tem a sua eternidade

tudo recebe os beijos da manhã
e a claridade da noite enluarada
envolta em sedas
de estrelas






terça-feira, 22 de dezembro de 2009

noite negra

a noite não será tão negra enquanto estivermos dando as mãos

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

minha identidade se perde em tua id

minha identidade se perde em sua id
e me perdi ali, que dissolvido
estou no ser amado em seu destino.
que se me vejo no reflexo de seus versos
já dividido sou nos seus espelhos
nem busco estar no todo de suas partes
mas no dorso, em procurando
a casa inteira dei-me conta
que só de números me inscrevo
e recebo identidade e assim percorro
os seus ombros, os seus pelos, o lenho exposto
sobre os anelados dos cabelos
e a linda curvatura do pescoço.

domingo, 29 de novembro de 2009

para jefferson bessa

para jefferson bessa

seu poema está imerso
nessas ondas do fundo
que confundem são gavetas
são marcas dágua
são dunas de um outro mundo
são gravações agravadas
onde o poema dorme, gravado
mas solto, engavetado
mas aéreo, eu disse
que essa sua nova fase
de sua poesia vai ser gravada
nas ondas desse mar
desse colorido mar
nas ondas do fundo da memória
desses computadores-leitores
a cores
ou leitores em preto e branco
e agora
em ondas vermelhas pretas e azuis
concentradas
concêntricas
fecundas
postadas
gravadas
água
água e areia
água
tinta de cor de água
água e tinta de água e cor


terça-feira, 24 de novembro de 2009

pássaro

meus dedos de aço
passam na plumagem
luminoso pássaro
imerso na paisagem
em minha cor e casa
e ponho-o no meu lago
um pincel usado
pinço-o com cuidado
ramagem extraordinária
forma de uma flor
ou como um piano
como um belo plano
bebo seu licor
e forço a sua entrada

dou-lhe vida e cor

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

novo poema

novo poema
pobre poema
agita agora
minha imaginação

sonho seu rumo
sopro suas teclas
ouço sua lira
confusão

meus dedos de aço
passam pelas plumas
dessa seca e estéril
movimentação

somos comovidos
somos só ouvidos
somos resolvidos
gestaçao

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

porta calada

porta calada
madrugada
o silêncio é nada
o vento me acorda
o silêncio morre
sobre esta triste noite
a quente suportada espera
volto ao sonho antigo
no sonho palavra dada

porta calada
madrugada

e que horas são?
qual tempo lembrar?
da minha janela percebo
um pedaço de rua
vento da noite nua
sopra na solidão

porta calada
madrugada

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

a chuva

a chuva
com seus "chhh"
com seus chiados e teclados
com seus dedos molhados
toca a sua canção no poema
(ao longe ouve-se uma trovoada:
que deus ruge ao longe?)

- para Jefferson Bessa

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

a palavra falada tentada forçada escrita

a palavra falada tentada forçada escrita
a ventarola do fio do violino na porta
o mormaço cobre o túmulo e volta a ser gente
e volta a ser gleba
voltamos nós
à palavra falada ouvida esquecida esquisita
morta
como o fio do destino à porta
é um outro lugar
um salão sagrado, familiar, construído há muito tempo,
e cheio de morte
ecoando suavemente mofado escuro quieto
como uma nuvem de umidade
por cima do tapete verde da pedra
espero a “Celebração da paz”, de Holderlin




quinta-feira, 8 de outubro de 2009

uivo longo noite escura vento

uivo longo noite escura vento
o vento evoca suas vozes
longas e ecos cavernas fundas
por que parece que morri?
uivo longo, muitas vozes
silenciadas
madrugada escancarada
prata ouro lanterna mágicas
calma nos arredores e arrepio
uivo longo na murada
volto a sonhar



quarta-feira, 23 de setembro de 2009

na praia da ponta negra

na praia de ponta negra me prosternei
na praia o tempo, na praia negra do tempo
sobre aquele muro de vermelha areia
estava escuro, sim, e ninguém nunca a via
o vento assustado uivava e recolhia
as estrelas penduradas que se entreolhavam aflitas
e iaras nas águas vestidas de branco ou nuas
e em bando
eu via o rumo fundo do rio longo na direção do fim
do outro mundo amado, do outro lado
e não, ninguém naquele dia, ninguém naquela noite
naquela hora que eu procurava nas linhas retas das
pedras antigas aéreas do rio o veio velho do vento
onde estaria
a praia da ponta negra que ouvi e amei

(Reescrito em 23 de setembro de 2009)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

na praia de ponta negra me prosternei

na praia de ponta negra me prosternei
na praia o tempo, na praia negra do tempo
sobre aquele muro de vermelha areia
estava escuro, sim, e ninguém nunca a via
o vento assustado uivava e recolhia
as estrelas penduradas que se entreolhavam aflitas
e iaras nas águas vestidas de branco ou nuas
e em bando
eu via o rumo fundo do rio longo na direção do fim
do outro mundo amado, do outro lado
e não, ninguém naquele dia, ninguém naquela noite
naquela hora que eu procurava nas linhas retas das
pedras antigas aéreas do rio o veio velho do vento
onde estaria
a praia da ponta negra que ouvi e amei

(Reescrito em 23 de setembro de 2009)

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

pequenas luas

pequenas luas
pés descalços
poças dágua
mundo de estrelas
a menina pisa
no arco-íris

(após ler um poeta amigo)

castelos de luar

castelos de luar
de lua
de tua
vontade nua
de tua
luz de lua
voz de sua-
ve paladar
castelos no ar
no vagar
do imaginar

(para Isabel Montes)



quinta-feira, 10 de setembro de 2009

castelos íntimos

castelos íntimos
parte dourada
casa contemplada
por castelos

castelos íntimos
quanta maravilha
luzes lantejoulas
fantasias caras
que nem sempre existem
na felicidade

castelos íntimos
parte dourada
de uma casa



(para Robson Ribeiro)

o mundo das imagens

o mundo das imagens
das estradas, das dúvidas
o mundo das voltas
das curvas, das novidades
o mundo das estradas
das entradas, das cadeiras
o mundo das figuras
desafiam as manobras
o mundo das fotos
as florestas, dos cabelos
as coroas e tiaras
bandas de rock, clicks
e links

sábado, 29 de agosto de 2009

a velha casa e seus poemas

(A meu poema "casa abandonada", o poeta Jefferson Bessa escreveu uma resposta:)

casa abandonada (Rogel Samuel)


as janelas estavam assassinadas
assistiam a tudo
ao mar, às aves, à montanha
nunca mais fechadas
fecundas de vento
arrebatadas de sol
batidas pelo firmamento
e as janelas nunca mais se fecharam
porque não havia ninguém mais lá dentro
porque os poros da casa se abriram
às verdejantes trepadeiras
que cobriam todo passado


----------------------

Esta casa (Jefferson Bessa)

Esta casa é
O abrigo do poema.

E respiram estas paredes
A verde-planta do tempo.
Crescem por sobre a casa
O olhar presente do passado
De entre-ver nossas janelas
Que não se trancam mais.
Por lá não ter ninguém
É que elas me olham.
Por nenhuma noite mais
Fecharei minhas cortinas.

Este poema é
O abrigo desta casa.

-----------------

Minha resposta (Rogel Samuel)

Por lá não há mais ninguém
nesta casa abandonada
nem os fantasmas esguios
nem as fadas enamoradas
nem mendigos nem ninguém
mesmo o tempo por lá não encosta
mesmo as recordações se desfazem
as memórias as cansadas
naves da madrugada
cinzas do que passou
solidão das marés
esquecimento e silêncio

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

tecíamos quando falávamos

tecíamos quando falávamos
uníamos teias reflexões
aranhas mútuas linguagens
uníamos costuramos sobre a mesa
cosemos, ponto por ponto, as bordas de uma
estrutura, de uma costura,
bordados sobre o meu lar
"e o cavalo na montanha"

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

na passarela

na passarela se vai, escorrega, trabalha e cai,
tranquiliza, na curva se desenvolve a reta
quem passa se vê refletido nos espelhos
estamos vendo os carros, as motos, o
vento, o calor contra o vento, estamos
na praia o risco do horizonte, as luzes
sobre as ondas na passarela deste mar
estamos em pleno mar, como no poema antigo

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

casa abandonada


as janelas estavam assassinadas
assistiam a tudo
ao mar, às aves, à montanha
nunca mais fechadas
fecundas de vento
arrebatadas de sol
batidas pelo firmamento
e as janelas nunca mais se fecharam
porque não havia ninguém mais lá dentro
porque os poros da casa se abriram
às verdejantes trepadeiras
que cobriam todo passado

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

são tão fáceis

são tão fáceis os poemas, são
tão bons de cantar, são tão fáceis
de se verem escritos esses versos
que se devem cuidar de guardar
o que pode acontecer é que à noite
todos dormem, e essas falas
se engavetam em sonhos
onde é fácil esquecer,
e essas falhas faladas
me farão esquecer

terça-feira, 4 de agosto de 2009

os amantes no bosque


os amantes no bosque, ao pé das árvores antigas
nus e belos como que belas garças
pousam no rumo do riacho próximo
que escorrega em torno da montanha fresca
e seus corpos experimentam essências
perfumam-se de aéreo gozo esverdeado
e sob os olhos da natureza em glória
os amantes do bosque, ao pé das árvores antigas
num manto de perfumes verdes

despertar paredes brancas

despertar paredes brancas, despertar
brancas folhas de papel dormentes
desviar o curso de um regato na encosta
da floresta que canta a sua canção de vento
entornar um pouco desse copo automático
funcionar minhas molas de rascunho pressionadas
retomar o fio da leitura interrompida
iludir o tempo de marcar esta postagem

(Para Robson Ribeiro)

terça-feira, 28 de julho de 2009

de areia e de pedra



de areia e de pedra e mais de que
de ferro se fazem as casas
da madeira dos sacos de cimento
você vê o preço e me espera no telhado
você vê como a louça guarda a toalha branca

de areia e pedra os muros se constroem
se erguem e se abrem as janelas
e pregos expostos e aguerridos pregos
oh temos de pensar de que são feitos eles
da cerâmica azul da fase próxima lua

domingo, 26 de julho de 2009

em frente à TV


em frente à TV posso sofrer
o amanhã o mundo as paisagens
o filtro do som e seu mundo
a luz violeta que vem de New York
ou a corrida daquele carro em Santa Fé

tenho saudade de Malibu
penso que eu voltaria para lá
foi muito boa recordação

em frente à TV posso saber
o passado de minha geração
e é bom adormecer e sonhar
como um bom telespectador de mim mesmo

quinta-feira, 9 de julho de 2009

mar




onde está, onde
onde está no horizonte
onde está o destino
por onde se vai nesta barca
por onde navegar assim
neste mar de incertezas
neste caminho sem pistas
e por que vagueamos em claros
na grande muralha de atalhos
perdidos labirintos
pássaros de bicos frios
flores de asas mortas
e em embrulhadas falas
mulheres e homens nas tramas
de suas rotas?

sábado, 4 de julho de 2009

venham poemas



venham, poemas, líricos, idos, tidos
desusados
venham das gavetas das estantes do passado
venham a mim
todos
esquecidos não lidos poemas das bibliotecas
em milhares em milhões de seus versos
suas muitas vozes muitas rimas e
imagens
eu os amo, poemas perdidos
eu os amo
e poderia lê-los todos
se me dessem tempo de vida
todos
me esperam em fila nas bibliotecas velhas
nos seus esquifes-livros
finalmente fechados
quem os lerá?
quem saberá?
venham a mim, venham
de todas as partes
em todas as línguas
com todas as suas finas rimas

quarta-feira, 24 de junho de 2009

para maria azenha


há muito tempo os poemas
jaziam no jardim abandonado
folhas secas
plantas tímidas
entre a estatuária de
deuses
e alegorias
de mármore

mas a rainha das musas
os despertou
e os fez
novamente falar
como quem experimenta desconhecidos
discos de vinil
deixados por um antigo
no fundo do melhor armário

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ao ler Jefferson Bessa



é à noite que os fantasmas da falta
se instalam nos espaços
e sobre seus traços cegos
nos alertam

cobre a noite com seu manto
os pontos-luz e de visão
e no arco da cidade adivinho
amores outros, que não faltam

domingo, 21 de junho de 2009

jardim antigo



um fato aconteceu
no silêncio das flores do jardim abandonado
entre os arbustos
e folhas secas

aumentaram as cores
a vivacidade variada
libertaram
não sabem a nenhum
germinam grandes entre pedaços de
estatuária
debaixo de pedras
dentro dos tanques surdos

somente perdidos anjos
e o cão preto
aquelas aves desgarradas
aquelas murtas velhas
não a vêem

à noite um lagarto verde
entre as estrelas azuis

as flores dormem

as flores há muito tempo lá estavam
elas dormem

sábado, 13 de junho de 2009

Poema para Márcia Sanchez Luz



Poema para Márcia Sanchez Luz

são laços? são abraços
laços que se desfazem
laços amorosos, pêndulos
lassos de quem sonha
com essas formas desertas
com essas ancas que ondulam
com essas curvas de dunas nuas
curvas de partes suas
ciladas fáceis escorregam
nos passos da descoberta
da seda dos seus desejos
e minhas rimas de aço


terça-feira, 9 de junho de 2009

poema para maria azenha



sua abalizada fala
de quem com a poesia se intima
sopra sim sobre essas salas
um manto de estrelas perfeitas

sobre um poema de Jefferson Bessa



seu verso é um espelho:
"eu sonho claríssimo", disse
e todos nós mergulhamos plenos
no seu sonho claro...
e nunca se sonha dormindo
sonho é sempre desperto
é o despertar
quem desperta de um sonho
mergulha no seu sonhar

sábado, 6 de junho de 2009

Ah, amor



Ah, amor,
sejamos sinceros
um para o outro
sejamos fiéis
e nos sintamos felizes
de juntos partilharmos a mesma cama
a mesma mesa
os mesmos momentos
felizes
e logo nós seremos distantes
seremos separados
Ah, amor,
tudo passa
tudo morre
"quão cedo passa tudo quanto passa"
enquanto nosso amor é eterno.

domingo, 31 de maio de 2009

Capricórnio


Capricórnio


Viagens ou relativos
podem estar em primeiro plano
eliminar preocupações
envolver parentes próximos.
Combata o pessimismo
esteja longe dos maus,
quem gosta de você
quer atenção,
quer alegria, colaboração.
A vida pode ser grande!

domingo, 24 de maio de 2009

Eu nem sei o tempo passou



Eu nem sei o tempo passou
desde que Helena faleceu.

Um dia um mês um ano
não importa.

Ela estava sempre
ao telefone
hoje mudo
ela morta.

Eu nem sei o tempo passou
um dia um mês um ano
não vi sentido no tempo
as mesmas frases de sempre
o ouvir Helena

Um dia um mês um ano
não importa.

Ela estava sempre
ao telefone
hoje mudo
ela morta.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

somos sombras



nada sabe a nada
neste e no outro mundo

nada é
o que pensa que é

somos sombras
névoa que se dissipa na curva da estrada
ao sol da manhã

certa vez eu vi um monte enevoado
era uma alta montanha
longe, bem longe dos olhos
nunca me esqueci
era a cordilheira dos Himalaias
ao longe, bem longe
como uma visão excelente
de algo portentoso e belo

somos sombras
o mundo presente
e o mundo dos sonhos

quarta-feira, 20 de maio de 2009

as coisas falam com calar


as coisas falam... com calar
as almas das coisas sabem
suas essências
é seu calar
somos seus utensílios
vivemos entre elas
frágil relação mantida
sutil negociação

as palavras pressentem

sim, amigo,
as palavras pressentem
o que se vai dizer...
às vezes fogem,
se escondem
às vezes gritam,
se irritam,
e dizem
estamos aqui
aqui
estamos

Para escrever um poema por dia


Para escrever um poema por dia
basta não ter inspiração.
Nenhum talento.
Basta ouvir
atentamente
o que não tem a dizer todas as coisas,
o ruído de um avião que passa,
o desejo de sexo,
o gosto do café,
som do relógio na parede.

Todas as coisas têm sentido
um sentido
e algo que não dizem.

A felicidade das coisas
é seu calar.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Você me diz que eu devia


Você me diz que eu devia
escrever um poema por dia.
Que eu devia inundar o espaço
de palavras.
Você me diz tanta coisa
você me acalenta e consola
você é agora
um pouco de tudo que vi
um resto do amor que fluiu
você me diz isso e aquilo
e em seus lábios inexistentes
tudo se faz amanhã.

Acho que você tem razão, eu devia
escrever um poema por dia.

domingo, 10 de maio de 2009

Dias das mães


Dias das mães

Rogel Samuel


Que dirá no dia das mães?
Que ou como fazer a releitura em desenho da mãe?
Mãe protetora ou geradora mãe da vida?
Mãe que dá o leite da existência, a mãe fonte da onda, do tempo, da luz, da força?
Mater dolorosa do Cristo, mãe de todos nós...
Mãe-terra, mãe-água, mãe do universo...
Mãe anjo da guarda, mãe das coisas divinas e terrenas,
Mãe morta há muito tempo mas muito viva, mãe viva, mãe vida!

sábado, 9 de maio de 2009

MALEVICH






MALEVICH















Malevich descobriu
que o branco tinha cor
as várias cores do branco
desde o branco cabralino
das brancas casas caiadas
até o branco indolor
dos muros dos hospitais
o branco das sepulturas
brancas, das paredes duras
brancas, das casas e flores
brancas, que orlam o lodo
de esgotos de favelas
e o mais branco das velas
dos lenços e dos lençóis
mesmo a branca imagem branca
do esvoaçar de uma garça
na revelação do meu sol
sobre praias do Nordeste
ou a doçura brancura
do açúcar no café
as cortesias alturas
da lua tiradentina
onde o branco dessas tintas
se finge de mais alvura
como neves Himalaias
ou branco das gravuras
da minha amiga artista
Lyria Palombini
ou o branco daquelas saias
engomadas onde passam
virgens ao sol sorridente
em direção das suas salas
decerto paredes brancas
de suas almas de escola

quarta-feira, 6 de maio de 2009

em sonho ansiamos

em sonho ansiamos


em sonho ansiamos
viajamos somos
estamos amamos
em sonho

em sonho ansiamos
curioso velejar
vagar vôo que desperta
o mar

sim, em sonho
ansiamos o que nos conta
nos encontra
no ar

ansiamos
sonhamos

lemos
o despertar

O desespero de Barras


O desespero de Barras




Não conheço Barras, no Piauí.
Mas conheço Barras, no Piauí.

Sofro com Barras
debaixo dágua
pátria de Governadores
e Heróis.

Thaumaturgo! Thaumaturgo!
Herói de múltiplas plagas,
orai por Barras
debaixo dágua.

Ó grande Fileto Pires
o inventor do grande teatro das selvas,
orai por Barras
debaixo dágua.

Eu sofro por aquela cidade desconhecida
mas que mora comigo dentro do meu sonho
e do meu pobre poema de lastimação...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

em sonhar

à noite me visita
um ser quase invisível

ele vem de muito longe
e de um tempo muito passado

eu o vejo pela sala

sonho que ele é um rei de um reino mui esquecido
ou uma fada de um conto infantil

logo vejo que ele não existe
estou sonhando... e em sonho

combino as faces e imagens
com rios e lagos do meu amazonas

um igarapé no banho do passado
as águas são frias, os sorrisos estão no espaço

sinto-me bem
em sonhar

sábado, 2 de maio de 2009

Há muito tempo vejo nos ares

Há muito tempo vejo nos ares
um surto sons perfumes luminosidades
perto de todos e das coisas.

Há muito tempo surto. Me iludo.

Há muito tempo invoco os desconhecidos deuses.

Estarei só? Os deuses me voam no espaço.

Há muito tempo não estou só. Refiro-me
a esses deuses, que imagino. Nesta sala.

(rogel samuel, 02.05.09)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

gripe suína


gripe suína

esta gripe supimpa
pragueja espirra voa e limpa

vai se alastrar
no ar

ave invisível porca agourenta
vírus que vai globalizar
e matar

o ar, além de poluído,
vem embutido
de horror

como se não bastasse a crise
econômica, nem a cegonha sem-vergonha
da sida,
o mosquito decadente de dengue
tropical,

agora
respirar faz mal

(rogel samuel
rio de janeiro, 29 de abril de 2009)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Noite negra




Noite. Noite negra, nesta montanha.
Unidos pelo mesmo hálito,
o mesmo manto sem estrelas.
Nesse mundo, onde estamos nós?
Nessa noite negra. Tão negra
que deixamos acesa aquela luz.
Entre nós. Nossas luzes.
Negra noite.


(Rogel Samuel
Tiradentes, 15 de abril de 2009).

domingo, 12 de abril de 2009

Agora abriu a estação



Agora abriu a estação
das bailarinas do ar
vitrilhos brilhos cintilos
nas Thermas Antonio Carlos
sob a lua com ferrão
pôs pra gente navegar
e nas esteiras acesas
abrem leques, madeixas
deusas de vespas ledas
de seu lácteo almiscar
o estar o estame os laços
no Palácio do Cassino
e o verão vai com seus bronzes
sobre homem, abertos braços
na Praça de Pedro Sanches
ó menino de açúcar fino
ó menina pele mormaço
suspiros giros e engasgos
com essas asas de aço
sobre fontes, sobram passos
ó irmandade fecunda
com o pulso do verão!
(mas não o sentirá Elias
nem a Dona Conceição:
depois que os cascos da morte
cortaram o ríspido chão).

sábado, 11 de abril de 2009

pequeno poema

pequeno poema
se insinuando
na minha solidão

eu te amo apenas
quando vale a pena
não te ter à mão

sei que aparecias
na nudez suprema
da imaginação

pequenino tema
posto que poema
és contramão