quarta-feira, 28 de março de 2018

estrada clara

estrada clara


rogel samuel


depois de alguns novos passos
cheguei aquela estrada amada
simples, reta, clara, nada
impedia ao reino me levava

estrada clara

e os sóis e as madrugadas
pelos vales verdes e azuis
de repente me abriam

doce esplendor desse mundo
posso passar sem mais nada
vejo belas paisagens

entrada clara

depois de alguns passos
cheguei à estrada amada

estrada ao nada

domingo, 18 de março de 2018

as palavras pressentem

as palavras pressentem

sim, amigo,
as palavras pressentem
o que se vai dizer...
às vezes fogem,
se escondem
às vezes gritam,
se irritam,
e dizem
estamos aqui
aqui
estamos

ROGEL SAMUEL

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

pássaro

pássaro

meus dedos de aço
passam na plumagem
luminoso pássaro
imerso na paisagem
em minha cor e casa
e ponho-o no meu lago
um pincel usado
pinço-o com cuidado
ramagem extraordinária
forma de uma flor
ou como um piano
como um belo plano
bebo seu licor
e forço a sua entrada

dou-lhe vida e cor

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

museu de pedra

museu de pedra

são de pedra as tuas vestes
o teu blusão é de aço
como teu músculo macho
e de bronze as tuas pernas
e de ouro os teus cabelos alados
que da matéria vital
é tua palavra o teu laço
mas tuas mãos sobre mim
são suavíssimas flores
palco de teus amores
linhas do teu pomar

terça-feira, 4 de abril de 2017

dois universos

dois universos


teu corpo sobre a cama teu corpo nu
e moreno, no momento dorme e ressonante
num mar verde meu sonho de navegação prossegue
um parque desconhecido tem animais e alguns
monumentos, teu belo país se estende no castelo
de ouro, onde tudo é estável e amplo
e se coloca um universo sobre outro

domingo, 11 de janeiro de 2015

baixada blues





baixada blues

vou seguindo nessa estrada
a pé, e me vejo perdido
e enfim achado
na busca do meu passado
revoada de pássaros
cães não ladram
campo de flores e de lixo
vou seguindo nessa estrada


de lata


rogel samuel

domingo, 22 de junho de 2014

Poema para Tufic


Poema para Tufic

Rogel Samuel

As tapioqueiras, vestidas de branco, dobram as tapiocas
como quem vira a página em branco.
Dobram as tapiocas
como quem encaderna o livro.
As tapioqueiras, vestidas de rendas, curtem suas tapiocas
no fogo do amor.
As tapioqueiras, vestidas de noivas, abrem suas pequenas tapiocas
nos tachos do abraço.
As tapiocas belas das tapioqueiras

vestidas de doce
de leite
de côco

de brincos
brancos.
Vêm com manteiga
e beijo

e mel.
Vestidas de barro
do abraço.