quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

POEMINHA PARA ZEMARIA PINTO


AGRADEÇO:
O PUBLICAR O MEU VERSO
NÃO TEM PREÇO

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Não posso rever os teus traços

Não posso rever os teus traços
Nem as notas de teu tema
Pois tua música se esquece
Como as vozes do poema
Da paixão, que mais um traço
Foi do azul de minha pena,
E quando te vir já será garço
O repique da tua cena
e o afastado abraço...
(oriunda onda a que cerca de aço
me levarão tuas algemas?)

Não posso reter os teus traços


Não posso reter os teus traços
Nem as notas de teu tema
Pois tua música se esquece
Como as vozes do poema
Da paixão, que mais um traço
Foi do azul de minha pena,
E quando te vir já será garço
O repique da tua cena
e o afastado abraço...
(oriunda onda a que cerca de aço
me levarão tuas algemas?)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

era o parque o ser o nada

era o parque o ser o nada
era o monstro da montanha
era tudo o abandonado
o castelo no ar o aliado
era o canavial incontrolável
a lente de todos os saberes
o morredouro das gentes
o sorvedouro do ser
era o risco a mágoa a nuvem
as estreitezas o ver
mas tinha o que eu mais amava
o sonho a fantasia o crer

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

no pátio do passado perto lá de casa

era pra ler, era pra ser
era pra ver, era pra não crer
que tudo nada foi, ou nada
apareceu num mundo de provocações
no ardor, ou louro, ou de
uma montanha de ouro
e que tudo deu em nada
ou se perdeu em asas
que como águas de cristais que correm
na pedra no tanque de seu mudo
aço, e sob aquelas vozes alçadas
no pátio do passado perto lá de casa

sábado, 23 de outubro de 2010

mas era o parque o ser o nada

mas era o parque o ser o nada
era a beira da estrada
era a mais longa caminhada
a vida deixada em cada
esquecimento e desta
sorte tudo o que pensei
tudo o de que me lembrei
a infância a tortura a morte
daquela fantasia doente
das crianças em nossa volta

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

era o parque o ser o nada

era o parque o ser o nada
era o monstro da montanha
era tudo o abandonado
o castelo no ar o aliado
era o canavial incontrolável
a lente de todos saber
o morredou das gentes
o sorvedouro do ser
era o risco a mágoa a nuvem
as estreitezas o ver
mas tinha o que eu mais amava
o sonho a fantasia o crer

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

meio mar

Quando lemos quando poemas quando
fazendo-me vomitar
a fase dura do meu mar
a face horrível do amar
quando
quero ser simples
quero
voltei ao fundo da primeira taça
quero sonhar
era o parque era o nada
era o simples naufragar
voltas na praia antiga
minutos no meio mar

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

quantos poemas, quando poemas

quantos poemas, quando poemas
sem rumo no escrever
vou assinando esses termos
no limbo do anoitecer

quantos poemas, quando poemas

domingo, 29 de agosto de 2010

cena carioca

cena carioca


Joga o mendigo na praça
pedaços de pão para os pombos
e inteiramente de graça
dá de ombros.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

por maior que seja o diamante

por maior que seja o diamante
não supera o brilho interno de teus olhos
não quero supor que és minha estrela
mas sim o sol

sobre as colinas e os mares
teu perfume recomeça sempre
nos ventos

domingo, 4 de julho de 2010

por mais negra que seja a noite

por mais negra que seja a noite
devemos esperar pelo amanhã
o sol, bem ou mal, será esperado
a luz diamante apontará no risco
e nós nos amaremos outra vez

feliz quem sabe que
tudo passa
e que o mundo
recomeça sem outro mesmo

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Natal


Eram três figuras na janela
três amigas, três tristonhas
espiavam para a casa
três certas meninas
aquelas
e eu me dei conta do brinquedo
daquelas figurinhas mitolõgicas
três vezes era demais
para a sabedoria
ser capaz

(Rogel Samuel)

sábado, 5 de junho de 2010

sobolos rios que vão

sobolos rios que vão
por Babilônia, me achei
onde sentado chorei
com Camões esta canção,
as lembranças de tudo
por quanto no rio passei
o rio negro negro
corrente que de meus olhos
foi manado, e que somente
meu deu lembranças
que nalma se representaram
e se fizeram tão presentes
como se nunca fossem tidas
com o rosto banhado em lágrimas
via minha tia Luzia
e seus cuidados imaginados
e o meu tio Alberto
na sua mesa de trabalho
sorrindo para o seu lado.
Vi que tudo que passei
que todo o bem passado
não era gosto, mas é mágoa.

mas quando feliz estou contigo
me esqueço do passado
nada existe, já passou
e logo me recomponho
pois o tempo imaginado
o tempo recuperado
já é outro, já não existe
como o rastro de uma nave
no ar do mais largo oceano

ah, tempo passado, tempo morto
tempo árido! contigo não
estarei nem mesmo nas lembranças!
o quadro se apaga e os momentos
são sonhos projetados na vidraça!


poema de março






Não quero rever o segredo
o teu copo de mar
nem a horta colher a medo
por quem a imitação da forma
é a porta por entrar
a costura da imagem
da pele mais quente amar
que fria ou quente acessórios
são para o tom certo aplainar
ou a tonalidade vazia
que nada sabe o enredo
em que quero aprisionar
e por onde passa o espelho
lançado sobre o luar
oriunda onda onde queres
neste oceano me levar?

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Tao

Um caminho que pode ser seguido
não é o eterno
o absoluto

O nome que pode ser enunciado
não é o absoluto

O céu e a terra brilham sem nome

O nome é a raiz das cem mil criaturas

Desta que
somos sombras do infinito

A música dos céus não soa quando
a nomeamos



segunda-feira, 10 de maio de 2010

são tão fáceis os poemas, são

são tão fáceis os poemas, são
tão bons de cantar, são tão fáceis
de se verem escritos esses versos
que se devem cuidar de guardar
o que pode acontecer é que à noite
todos dormem, e essas falas
se engavetam em sonhos
onde é fácil esquecer,
e essas falhas faladas
me farão esquecer

são de pedra as tuas vestes

são de pedra as tuas vestes
são de aço barato
o teu músculo macho
entre os bronzes das pernas
e tua palavra de nada
e tuas mãos são de fada
e tuas flores de lodos
e tuas loucas e poucas
alucinações fantasiadas

segunda-feira, 3 de maio de 2010

praça da saudade















na pálida luz de uma lembrança amena
no silêncio de um poema de Anisio Melo
me lembro da praça da saudade e nela
tua imagem sob o caramanchão
não há uma saudade ali inscrita
mas uma espécie de sonho, de passado
de águas de uma chuva fina
de sombras de uma festa

domingo, 11 de abril de 2010

nossa casa

muitos beijos pobres beijos perdidos
pouco lidos poemas, apenas
rascunhadas cartas lenços bordados
perfume de rosas na alcova
luzes no caminho do nosso amor
SOMBRAS NAS JANELAS
PORTAS CANCELAS
TUDO NA ESTRADA VELHA
NOSSA CASA
NOSSA ENTRADA

segunda-feira, 1 de março de 2010

carnaval

sim gosto de carnaval
da alma da imagem o tambor
dos batuques e dos rebolados
das baianas que giram
e das comunidades do morro
eis que sambo em imaginação
como que quem avançar
como quer o espírito
e o corpo do amor

domingo, 28 de fevereiro de 2010

na passarela do samba

na passarela do samba se vai, escorrega, trabalha e cai,
tranquiliza, na curva se desenvolve a reta
quem passa se vê refletido nos espelhos
estamos vendo os carros, as baianas, o
vento, o calor contra o vento, estamos
na batida do samba do horizonte, as luzes
sobre as ondas na passarela deste mar
estamos em plena sapucaí, como no poema antigo

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

para Annie

não, eu não quero mais
contracenar com a tua morte
não quero estar para sempre a ensaiar
o teu lado mortal
agora eu quero a vida
o vazio da paz mental
o abrir para um novo silêncio
de flores de mares sem lamentações
sem adeuses sem tristeza
um novo estado de voz
de minha voz cansada
de cantar no vazio deserto

(para Annie)

sábado, 13 de fevereiro de 2010

carnaval
















no seu calor
eu que rebolar
a minha dor

na sua voz
eu que entoar
o amor

não sinto tanto
o vazio do meu
pranto

leve retrato

o meu carnaval
é no seu prato

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

museu de pedra

são de pedra as tuas vestes
o teu blusão é de aço
como teu músculo macho
e de bronze as tuas pernas
e de ouro os teus cabelos alados
que da matéria vital
é tua palavra o teu laço
mas tuas mãos sobre mim
são suavíssimas flores
palco de teus amores
linhas do teu pomar

máscara africana

nao há nada
atras da mascara
a mascara nada esconde
do que ela é
exterioriza
o que é

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

pelo haiti

ai! haiti
que inimigos tens, secretos
feitos de homens, feito de deuses?
monstruosidades calam em teu leito
mudas a cada grande dor teu enorme pleito
pela vida, pelas águas, pela multidão de
teus feitos
desde a colônia francesa de são domingos
desde a revolução francesa
desde teu líder Toussaint L'Ouverture
que derrotou a França e a Inglaterra
preso por Napoleão
desde Dessalines e os jacobinos negros
que prosseguiram o combate e a conquistaram,
em 1804,
a Independência cruel, sangrenta e definitiva,
que batizaram em sangue o País como o nativo Haiti
e onde meu amigo chinês mora ou morava
(não sei dele) e ensinava;
ai de ti, ó povo da Independência vitimado
que atrai da vitória a maldição
a maldição dos heróis
a maldição dos deuses
pelo que produziste
o café, o anil, o cacau, o algodão
e o açúcar melhor do que ninguém
e onde meio milhão de escravos africanos trabalharam
ó vítima da liberdade
que os deuses me protejam da tua maldição!
ó, haiti

para Azenha

um punhal de neve
um buquë de ar
um sorriso leve
como o mar

para Azenha

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

dois universos

teu corpo sobre a cama teu corpo nu
e moreno, no momento dorme e ressonante
num mar verde meu sonho de navegação prossegue
um parque desconhecido tem animais e alguns
monumentos, teu belo país se estende no castelo
de ouro, onde tudo é estável e amplo
e se coloca um universo sobre outro

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

ela era mestiça de chinês

ela era mestiça de chinês
mestiça de luar
era bonita em seu jardim
em seu pecado de flores
nos seus lábios havia um rio
o universo se abriu
eu pude entrar



(para Clarisse)



são de pedra as tuas vestes

são de pedra as tuas vestes
o teu blusão é de aço
são de bronze as tuas pernas
de ouro os teus cabelos
e da matéria virtual
a tua palavra o teu laço
sobretudo as tuas mãos
suavíssimas são de flores
o palco de teus amores
as linhas do teu pomar

o estar no mundo

estar no mundo
brincando de te beijar
sentir tua língua o peito
como se deve amar...
como eu gostaria que fosse
esse poema descrito
por mim que gosta sê-lo
e poderia retê-lo
amante na placidez
daquela tarde risonha
que só de versos alegra

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

o diamante azul




















meu diamante azul
constrói meu carbono
seu destino é o eterno
o universo a luz
o vazio o norte
o nome

um milhão de anos
meu diamante azul
estará vivo
no espaço das formas
no aço informe
na matéria nova
e morta
da coisa viva

meu diamante azul
é a morte

tem fome


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

noite de sedas, noites de segredos (2)

noite de sedas, noites de segredos
noite de cartas, de telefonemas
de amplos laços esgarçados
noite de fogos, de revelações
soube trazer na noite os mesmos passos
soube fazer naquela mesma taça
velha taça de prata familiar
o sonho o resumo o aparecer na planície
entre o branco das sedas e o azul deserto
quando a praia se abre em grandes constelações
em grandes flores-palácio
e escrito está na glória das belezas
o teu sorriso claro das estrelas plenas
noite de sedas, noite de surpresas

domingo, 3 de janeiro de 2010

ERAM DOIS POSTAIS MUI PÁSSAROS E PÓLEN

ERAM DOIS POSTAIS MUI PÁSSAROS E PÓLEN
desciam o declive da madrugada
se olharam parados e em sorrisos
um simulando atrás no escuro
outro concentrado picava suas penas

No volume da lua prata havia uma carta

E os dois se amaram ali daquele jeito
ouvindo gemer a fonte que gozava
fofa forte farfalhante madrugada


(poema antigo, reescrito)